Aquecimento Global – Dois portugueses colaboram com o Fifth Assessment Report do IPCC (5AR) – Parte I

Date: Fri, 2 Jul 2010 02:43:53 +0100

(Para maior facilidade de consulta, os documentos referidos em negrito seguem na segunda parte deste email.)

Viva!
Foram divulgados os nomes dos participantes nos três grupos de trabalho do IPCC que vão contribuir para o quinto relatório desta instituição, com publicação prevista para 2013 ou 2014. Pela primeira vez há dois portugueses com a função de review editors. Sobre um deles, o Filipe Duarte Santos, não vale a pena falar já que, quem quiser, pode pesquisar as, em bom português, bacoradas a que nos habituou.
Temos, no entanto, um indivíduo que trabalha com o Instituto de Meteorologia, o Pedro Viterbo, que merece alguma atenção, já que é responsável por observar o respeito pelos padrões de qualidade científica no tema que lhe compete no 5AR. Vamos, então, ver o rigor do Pedro Viterbo:

Seguindo o link fornecido no Ecotretas, temos um artigo do Público que remonta a 2008: http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1344200 . Passo a transcrever, com as devidas anotações:

«Especialistas estimam que Verão será de seis meses daqui a 50 anos
28.09.2008
Lusa

Os amantes do bom tempo vão bater palmas, mas as consequências não são de aplaudir. A Primavera em Portugal já tem mais dez dias e o Verão prepara-se para durar cinco ou seis meses daqui por 50 anos, alertam especialistas. [Não conheço qualquer documento que corrobore esta afirmação].
O período legal de época balnear, que começa a 1 de Junho e termina terça-feira, pode ser forçado a uma revisão por causa do aumento da temperatura e da diminuição da chuva, que atraem cada vez mais banhistas à costa portuguesa fora das épocas tradicionais. [As temperaturas globais desde 1998 estão a diminuir e, em relação à precipitação, embora seja sabido que não tem relação directa com as temperaturas, remeto para o comentário final].
“Com o aumento da temperatura média [que, na verdade, diminuiu], o que nós chamamos o tempo de Verão vai prolongar-se. Daqui a 50 anos, em vez de dois ou três meses de Verão, vamos ter cinco ou seis”, afirma o especialista em alterações climáticas Filipe Duarte Santos, em declarações à Lusa. [Como já disse, não vou comentar afirmações deste indivíduo, mas, nem o 4AR do IPCC é tão pessimista!]
Em Portugal, o calor está a chegar antes do Verão e permanece depois da estação acabar: “A temperatura de conforto para ir à praia, que é de 21 ou 22 graus, está a registar-se em mais dias do ano”, diz o coordenador científico dos centros de investigação do Instituto de Meteorologia, Pedro Viterbo. [Se estiverem 22 graus centígrados em Lisboa, não só não vou à praia como visto um blazer ao fim da tarde!]
As estatísticas dos últimos 20 anos indicam que o aumento de temperatura é da ordem dos 0,47 graus por década e que a temperatura máxima tem subido durante o Verão (21 de Junho a 21 de Setembro). [Cada um faz das estatísticas o que quiser! Se este artigo é de 2008, está implícito que desde 1988, duas décadas, as temperaturas aumentaram 0,94 graus, o que é rigorosamente mentira! Até nas previsões do IPCC para 2050, com os tendenciosos modelos informáticos a assumir a duplicação do CO2 atmosférico, das actuais +/-380ppm (partes por milhão) para 750ppm, o aumento estimado das temperaturas desde 1850 é de 2 graus centígrados, sendo que entre 0,2 a 0,6 graus serão devidos à actividade humana e o resto um aquecimento natural].
Recuando até 1931, verifica-se que os seis anos mais quentes até 2000 ocorreram nos últimos 12 anos do século XX, sendo 1997 o que registou mais calor.
A subida dos termómetros chega assim cada vez mais cedo. Começa a ser em Maio, e já não em Junho, que os veraneantes visitam a praia pela primeira vez no ano.
[Ou seja, recuando ao início do Período Quente Contemporâneo e esquecendo a Pequena Idade do Gelo que o antecedeu… E o ano mais quente foi, como é sabido, 1998, devido ao El Niño anormalmente intenso.]
“Como a variação entre Maio e Junho é de um grau a um grau e meio, pode dizer-se que a temperatura de conforto para ir à praia está a ser antecipada”, explica o investigador do Instituto de Meteorologia. [Sem comentários.]
Também na chuva se registam alterações, que os investigadores estimam agravar-se nas próximas décadas, prevendo-se que se concentre mais no Inverno e deixe de ser tão distribuída ao longo do ano. [Como insistia o recentemente falecido Rui Moura, sem uma teoria que explique as dinâmicas atmosféricas, como é que alguém pode prever seja o que fôr em relação à precipitação?]
É com base nas alterações de precipitação e temperatura, também características de cada estação do ano, que Pedro Viterbo revela que nem na meteorologia a tradição é o que era.
[À boa maneira do Hockey Stick, a instabilidade natural do clima, para este indivíduo, não existe…]
“A transição do Inverno para a Primavera [a 21 Março] tem acontecido mais cedo, cerca de dez dias a meio mês”, afirma o investigador de meteorologia. Portugal tem registado uma quebra nos níveis de precipitação da ordem dos 80 milímetros por ano e é sobretudo em Março que a diminuição tem sido mais notada. [Curiosamente, 2010 teve precipitação elevadamente anómala. Alteração climática ou variabilidade natural?]
“Uma das diferenças entre o Inverno e a Primavera é precisamente a precipitação. O final do Inverno tem registado menos chuva, logo pode dizer-se que há uma antecipação da Primavera em uma ou duas semanas”, explica Pedro Viterbo. [sic]
Esta alteração das estações do ano é apenas meteorológica, pois o que as caracteriza é a duração dos dias e noites, que aumentam ou diminuem ao longo do ano consoante a inclinação do eixo da Terra face ao Sol. [Ah?! Então, não é meteorológica… É astronómica!]
A mudança do clima verifica-se em todo o mundo, estando os cientistas convictos de que é uma consequência da acção poluidora do Homem, nomeadamente no sector dos transportes. [Mais uma vez, a confusão entre dióxido de carbono e poluição. E só se verifica “mudança do clima” no hemisfério Norte e península antártica.]
As últimas previsões da comunidade científica apontam para um aumento da temperatura entre os 1,9 e 4,6 graus nas próximas décadas, uma maior frequência das ondas de calor e uma subida do nível do mar agravada pelo derretimento de gelo do Pólo Norte. [O pobre Arquimedes deve estar às voltas no túmulo! O gelo, como flutua, desloca o próprio peso em água, ou seja, mesmo que o Pólo Norte derretesse, o nível do mar não aumentava porque o gelo já flutua no oceano! E, podem consultar os dados do Cryosphere Today , não só o Ártico está perfeitamente saudável como, por exemplo, a Gronelândia, tem cada vez mais gelo acumulado!
Os governos começam agora a estudar estratégias de adaptação às alterações climáticas, reconhecendo que as boas novas para os veraneantes constituem um perigo para as economias e para a saúde pública. [Realmente, deviamos apostar em estratégias de adaptação porque as alterações climáticas são um fenómeno real e fora do nosso controlo, mas, em vez disso, temos o belo do “cap and trade“!]»

Ora, para o nosso amigo Pedro Viterbo, 21 ou 22 graus é uma temperatura de conforto para ir à praia… Na Suécia, talvez! Mas, admitindo isso, não podemos admitir que sejam temperaturas anómalas para o mês de Maio no Litoral português. Dei-me ao trabalho de compilar as cartas do Instituto de Meteorologia desde 2003 com as anomalias da temperatura máxima em Portugal Continental – anomalia2003-2010IMG.jpg. Vamos até ignorar o efeito de Ilha de Calor Urbano (um grande trabalho desenvolvido pelo Anthony Watts sobre esta matéria está disponível em http://www.surfacestations.org/) que afecta estes dados, já que são recolhidos por duas redes de estações de superfície muito duvidosas. Vamos também ignorar o facto de parte dos mapas darem a anomalia em relação à média 1961-1990 e outros à média 1971-2000. Vamos, ainda, ignorar que em 1974-1975 se deu uma mudança climática que corresponde à quase totalidade do aquecimento registado entre 1850 e o presente. E, já agora, desculpem-me não apresentar dados mais antigos, mas, o Instituto de Meteoreologia não os tem disponíveis.
O que vemos é 2003 mais quente, 2004 mais frio, 2005 e 2006 mais quentes, 2007 e 2008 mais frios, 2009 mais quente e 2010 mais frio (peço desculpa por, na imagem, 2008 e 2010 estarem trocados). Ou seja, não tendência assinalável de aquecimento nem de arrefecimento!

Em relação à precipitação, juntei um gráfico do IM com outro da UHI (University of Alabama – Huntsville) que, desde 1979, compila as temperaturas globais medidas por satélite, portanto, isentas do efeito de Ilha de Calor Urbano – combinados-tmgUAH+secasPT.jpg.
Temos uma seca num período de arrefecimento, outra num período de aquecimento, outra correlacionada com o El Niño de 1998 e outra num período de estabilidade das temperaturas. Ou seja, não há uma relação directa entre temperatura e precipitação! Mais: sabemos que, nos períodos climáticos mais quentes, ocorre mais precipitação do que nos períodos climáticos mais frios.

No meio disto tudo, junto um gráfico publicado por um defensor da Teoria da Alterações Climáticas de Origem Antropogénica – HoloceneOptimumTemperature.jpg. Datado de 1995, é um precedente para o famoso “Hockey Stick” de Mann & Steig, 2004, já que aqui se nota a tendência de arrefecer o Período Quente Medieval, encurtar a Pequena Idade do Gelo e inflacionar as temperaturas do presente. No artigo de 2004, os dois períodos referidos já foram apagados!
Mesmo que admitamos que as proxyes utilizadas não foram manipuladas, vemos eventos de aquecimento e arrefecimento tão ou mais rápidos que o aquecimento 1974-1998! E isto antes da Revolução Industrial e utilização de combustíveis fósseis!

Para finalizar, junto um gráfico publicado em 2009, resultante da compilação de proxyes não calibradas – easterbrook2009.png.
O conteúdo deste trabalho vai ao encontro daquilo que venho defendendo e, recentemente, foi objecto de comunicação pelo professor Victor Herrara (além de outras apresentações desta conferência, podem vê-la em http://www.heartland.org/environmentandclimate-news.org/ClimateConference4): o pico máximo do Período Quente Contêmporâneo foi atingido entre 1998 e 2003, encontrando-nos agora numa fase de arrefecimento. Isto é um fenómeno natural, expectável, que sempre existiu e, em relação ao qual, a actividade humana não tem qualquer impacto! Podemos afectar os micro-climas com a utilização do solo (monoculturas, desflorestação, etc.), construção de cidades (mais quentes que o território envolvente), barragens (veja-se o que o Alqueva fez ao clima do Alentejo!), seja o que for, mas, a nível regional. O clima global é algo que não controlamos nem percebemos!

Com as devidas desculpas pela extensão do texto!
Cumprimentos!
António Gaito

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