De onde vem o “aumento da acidez dos oceanos” em 150% até 2100?

Date: Sun, 18 Jul 2010 23:42:34 +0100

Nota prévia: devido a uma recente mensagem em tom insultuoso, proveniente de um ex-membro desta mailing list que viu o seu sistema de crenças abalado e, incapaz de corresponder às espectativas de livre discussão e troca de informação subjacentes a estes emails, caiu no uso de diversas falácias, entre as quais o ataque ad hominem à minha pessoa, venho pedir-vos: quem desejar ver o seu contacto fora desta lista, informe-me. Todos os contactos, com maior ou menor afinidade, são de alguma forma meus conhecidos e, neste caso particular, foi particularmente duro, visto tratar-se de alguém com quem já mantive uma sincera amizade até, há uns sete anos atrás, os nossos caminhos ideológicos divergirem. Não pretendo passar doutrina, mas, sim, estimular o debate e facultar informação que, muitas vezes, não chega ao cidadão comum. E em termos de eficácia, considero uma mailing list mais adequada a este propósito que, por exemplo, um blog. Portanto, embora use esta lista para passar diversos tipos de conteúdos, repito, quem não quiser constar aqui, só precisa de me manifestar essa vontade…
___________________________________________________________________________________________________________________________________

Viva!
Na pesquisa de material para a eventual redacção de uma Carta Aberta dirigida ao Ministério da Educação, encontrei o artigo científico que serve de base ao trabalho da senhora Holland na National Geographic (N.G.) de Novembro de 2007. Trata-se de Orr et al., 2005, publicado na Nature e que envio em anexo. Ao contrário da N.G., os conteúdos da Nature estão sujeitos à revisão pelos pares (peer-review), logo, não será expectável que qualquer coisa passe ao escrutínio que se pretende rigoroso. Mas, segundo me parece, estão aqui presentes algumas coisas que não batem certo:

– Este trabalho trata, apenas, do PH à superfície nas latitudes mais elevadas (Norte e Sul). A N.G. passa da parte para o todo e usa estes dados como se respeitassem à globalidade dos oceanos;

– O worst case scenario apresentado sugere que algumas águas superficiais polares e subpolares poderão ficar insaturadas de iões de carbonato durante os próximos 50 anos, caso se verifique uma duplicação do CO2 atmosférico – três condicionais;

– O PH destas águas na era pré-industrial foi estimado em 8,179 com base nas variações de CO2 atmosférico, reconstruidas a partir de proxyes. Ou seja, ninguém sabe os valores exactos porque há demasiadas variáveis neste processo, mas, se limitarmos as variáveis para encaixarem num modelo incompleto, ficamos com este número – garbage in, garbage out!

– Assume-se que as condições que determinam os valores do PH, tanto na era pré-industrial como no presente, são idênticas. Uma variável fundamental, a temperatura, fica excluída, ignorando-se que no Séc. XIX terminou a Pequena Idade do Gelo e, desde então, já houve vários ciclos de aquecimento e arrefecimento;

– Os modelos computorizados (que já falharam na previsão da evolução climática dos últimos quinze anos) não são capazes de processar a quantidade de variáveis que interferem em sistemas muito complexos ou caóticos. Mesmo que fossem, é humanamente impraticável introduzir todas as variáveis, sobretudo em sistemas que ainda não compreendemos bem. Mesmo assim, as previsões de PH apresentadas são formuladas por modelos informáticos, sendo estes valores resultado do feedback às variações do CO2 atmosférico;

– Para não ser acusado de cherry-picking, transcrevo duas frases integrais:

«However, the models project a consistent trend, which only worsens the decline in subsurface ½CO22 3 ; that is, all coupled climate models predict increased evaporation in the tropics and increased precipitation in the high latitudes24. This leads to greater upper ocean stratification in the high latitudes, which in turn decreases nutrients (but not to zero) and increases light availability (owing to more shallow mixed layers).»

Ah?! Os modelos que preveêm o Aquecimento Global de Origem Antropogénica, preveêm como consequência o aumento da pluviosidade nas latitudes mais elevadas. Mais pluviosidade significa maior estratificação na parte superior da coluna de água dos oceanos? Ou sou eu que não percebo nada de física ou isto é um disparate pegado! Mais precipitação causa maior mistura na parte superior da coluna de água, ou sou eu que estou enganado?

– Os pterópodes, micro-organismos com conchas baseadas em cálcio, andam no planeta há mais tempo que nós, sobreviveram e evoluiram com oscilações gigantescas de temperatura, CO2 global, carbonatos dissolvidos na água, etc. E quando a Humanidade evoluir ou se extinguir, eles hão-de continuar por cá! A adaptabilidade é a chave da sobrevivência. Agora, apanhar os coitados dos bichos vivos e adaptados a um determinado meio, deixá-los dois dias em água com o dobro da acidez, verificar o óbvio – as conchas começam a dissolver-se – e usar isso como argumento?!

Caríssimos… Caso tenham interesse, leiam o artigo em anexo, façam a vossa pesquisa e tirem as vossas opiniões.
Cumprimentos!
António Gaito

Orr_OnlineNature04095.pdf

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: