Manifesto contra as músicas de Natal

Date: Tue, 7 Dec 2010 03:20:15 +0000

Viva!

Não pretendo ofender os fundamentalistas religiosos com este texto, por isso, se alguém o for, pode deixar de ler no final deste parágrafo…

O Natal é um tempo bonito em que nos devemos impregnar de sentimentos altruístas e oferecer coisas aos outros e fazer o bem e ser felizes e fazer os outros felizes e se o Saramago pode ignorar as vírgulas eu também posso e só nos lembramos destas tretas quando os centros comerciais nos apresentam as decorações de Natal e as músicas de Natal e as promoções de Natal e os descontos de Natal e o mais irritante!!! as músicas de Natal!

Pá! Faço já a declaração de princípios: sou um jacobino de primeira! Não gosto de religiões, superstições, crendices, esoterismos, nem afins que se assemelhem a banha da cobra… Mas, politicamente correcto, respeito todas as posições moderadamente crentes que não me tentem impor um modo de vida. E até evito discuti-las por ser tempo perdido!

Pois aqui chegamos ao embrião da questão: porque raios é que tenho de passar o mês de Dezembro inteiro a ouvir as mesmas seis ou sete músicas de Natal, nas cinquenta versões diferentes de cada uma, cada vez que entro num espaço público ou, até mesmo, quando vou a caminhar na rua?

Se vós, pais e mães de família, tivesseis uma filha de catorze anos que engravida sem saber quem é o pai da criança, julgo eu que tentaríeis abafar o assunto… Ninguém faria questão de armar uma algazarra capaz de lançar o mundo civilizado em mil anos de retrocesso civilizacional – a Idade Média -, ou mais se os criacionistas americanos e brasileiros tivessem poder para tal… E pior, nem na data de nascimento acertaram! O Papa Gregório, ao reformular o calendário juliano, não só fez do décimo mês o décimo segundo (DEZembro – politiquices como as de hoje) como, segundo as melhores estimativas, decretou o ano 1 (o zero na altura era coisa de árabes e hindus!) uns sete anos mais tarde e o Natal no Solstício de Inverno, por volta do dia 25, para cobrir as festividades dos nascimentos de Hórus e Mitra…

Mas eu não contesto as festividades nem o consumismo associado a esta época! Gastem o vosso dinheiro quando quiserem que eu também o faço ao longo do ano!

Nem entro em questões mais profundas sobre os praticantes de outras religiões poderem sentir-se discriminados pelas omnipresentes músicas de Natal… Afinal de contas, se eu for à Arábia Saudita ou ao Irão, depois das orações da tarde de Sexta-Feira, as mulheres adúlteras também são mortas por apedrejamento na praça pública, em frente à mesquita! É uma questão cultural, dirão os relativistas e pós-modernistas e outros caramelos responsáveis pela crise de valores da civilização ocidental.

Há uns poucos anitos, quando uma chusma de gauchistas quis impingir-nos uma Constituição Europeia e alguns reccionários defenderam que se fizesse referência ao legado judaico-cristão da civilização europeia, ai Jesus que os estados são laicos e a moda é o multi-culturalimo, que isto de ser secular tem que se lhe diga! A definição de secularismo e multi-culturalismo nesta Europa é entra cá tudo e nós é que temos de aceitar aquilo em que eles acreditam… E agora estamos numa situação em que nem na Idade Média houve tanta gente a defender o Califado desde o Al-Andaluz (isto inclui Portugal do Douro para baixo) até às ilhas do Mar Oriental. E, se alguém quiser fazer estimativas, talvez tenha havido na Europa mais excisões de clitóris a adolescentes nos últimos vinte anos que em toda a História de Civilização Europeia.

Ou seja, andamos onze meses por ano a defender o castramento das nossas raízes culturais e, quando chega o mês de Dezembro, somos turturados pelas estratégias de marketing modernas que nos impõem uma invasão de espírito natalício! E em tempo de crise, nada melhor que desperdiçar recursos em decoração de Natal e iluminação de Natal… Mas, música de Natal? Porquê?

Toda a gente as sabe. Toda a gente, mesmo que não queira, as trauteia. Até há uns matarruanos que as têm no telemóvel para azucrinar os ouvidos de inocentes que, por mero acaso, calham a estar por perto quando o aparelho dá sinal de vida… E que tal umas músicas novas, não? Uns jingles, mesmo comerciais, tipo a música da Leopoldina (porque está na Bíblia: o Natal é para gastar dinheiro em brinquedos!), com uma letra aberta a todas as confissões religiosas e passível de ser passada o ano todo. Ou, nas ruas, uma música alegre sobre as intenções do Presidente da Câmara para o ano seguinte (porque no ano findo, de certeza, não fez nada que se aproveitasse).

Mas não! Aquelas seis ou sete músicas, nas (7X50=350) trezentas e cinquenta e sete versões diferentes – porque há sempre um brincalhão a fazer uma versão porca – acompanham a nossa vida durante um mês inteiro, sempre que estamos debaixo de telha ou numa rua com comércio tradicional, tipo a Rua Augusta! Sim, porque Inditex e outras multinacionais, quando as portas dão para a rua, já se chamam comércio tradicional!

Para os senhores e senhoras que têm a autoria da ideia de, em qualquer sítio, passar músicas de Natal, aqui vai o meu conselho que, como todos sabemos, vale o que vale: se acham que as músicas natalícias fazem as pessoas felizes, também a masturbação as faz! E não é por isso que eu obrigo pessoas que não conheço a verem videos da minha excelentíssima e real pessoa a gemer de satisfação ao ver duas jovens filipinas (um país extremamente católico) a oferecerem felicidade uma à outra directamente e, a mim, indirectamente… E mais facilmente gastaria o meu dinheiro na Rua Augusta ou no Colombo se passassem imagens do António Costa ou do tio Belmiro a polir a cera ao marsapo enquanto assistem aos privados das moçoilas do MyCams!

Tenho dito!

Cumprimentos!
António Gaito

O texto acima foi escrito com o maior desprezo pelo Acordo Ortográfico.

António Lopes Pereira Gaito

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