Pseudo-ciência apoiada pela J.F. de Odivelas

Date: Mon, 28 Feb 2011 00:53:36 +0000

Viva!

Na edição 381 do jornal Nova Odivelas, de 25 de Fevereiro, saiu o artigo que anexo a esta mensagem.

Ficamos a saber que a J.F. de Odivelas e a Câmara Nacional dos Naturologistas e Especialistas das Terapêuticas não Convencionais são responsáveis pela «organização conjunta» de um encontro num pavilhão sob a alçada da J.F.O. O espaço não foi, apenas, disponibilizado! A organização foi «conjunta».

O senhor Presidente da J.F.O., Vitor Machado, é citado neste artigo a dizer que «a Naturologia assume um papel fundamental na promoção, manutenção e recuperação da saúde».

Na sessão de encerramento, além do senhor Vitor Machado, discursou também a vareadora da saúde da Câmara Municipal de Odivelas, Sandra Pereira.

Que uma Junta de Freguesia organize encontros que, embora promovam uma situação ruinosa para a economia do país, podem trazer algumas vantagens para os habitantes, ainda se compreende… Dou como exemplo tolerável a apresentação de diapositivos em anexo.

Não se pode aceitar é que os meios de um organismo público sejam disponibilizados para «numa organização conjunta» apoiar a difusão de práticas alegadamente terapêuticas que não têm qualquer base científica, colocam em causa a saúde pública (sendo responsáveis, até, por várias mortes!), empregam publicidade enganosa na sua divulgação e proliferam à custa da ignorância científica do cidadão comum e da incapacidade – ou falta de vontade – do Estado em fiscalizar estes vendedores de “banha-da-cobra”.

Se um titular de cargo público não pode, no exercício da sua actividade, promover qualquer religião ou confissão. Se as práticas auto-intituladas “holísticas” ultrapassam o limite da ideologia filosófica ou política e, pela negação das práticas e do conhecimento científico adquirido pela humanidade ao longo de séculos, se colocam no campo do intangível, do esotérico, do sobrenatural, da superstição e da fé. Se em vários países, incluindo Portugal, estas práticas foram desacreditadas pela comunidade científica em geral, tanto pelo método da refutabilidade como pelo método epidemiológico. Torna-se, portanto, inaceitável e ilegal a «organização conjunta» deste tipo de evento por um organismo público, tal como se torna sancionável juridicamente o discurso do senhor Presidente da J.F. de Odivelas na ocasião: viola o princípio da laicidade do Estado e promove práticas que colocam em causa a segurança e a saúde pública.

A consulta ao sítio http://www.cnnet-web.org/ dá-nos a enumeração das práticas que esta instituição agrega e defende:

Naturopatia – baseia-se na crença de que o corpo humano pode evitar qualquer doença e regenerar-se de qualquer problema por meios naturais, sem o recurso a medicamentos. Ou seja, é a completa negação da medicina e farmacologia modernas que, como todos sabemos, salva milhões de vidas todos os dias.

Homeopatia – agarrem nalguma coisa que provoque uma doença, diluam em água as vezes suficientes para não sobrar sequer uma molécula do alegado princípio activo na solução aquosa, não se esqueçam de agitar bem ao longo de todo o processo, juntem um bocado de açucar para dar sabor e digam que é a cura para alguma doença (mesmo que seja reconhecidamente incurável, como não é oficialmente um medicamento o controlo sobre a publicidade é menor: por exemplo, quando virem publicidade a algum medicamento que diga que cura a gripe, não é um medicamento mas sim água com açucar – nenhum medicamento pode reclamar que cura uma doença viral!)

Fitoterapia – ervanárias. Pode parecer a menos inofensiva, mas, enquanto que a toma de medicamentos cujo princípio activo contenha extratos de plantas ou o consumo dessas plantas ou das suas infusões é, na maioria dos casos benéfico, a substituição do tratamento médico por “tratamentos naturais” é responsável por centenas de milhar de mortes desnecessárias.

Osteopatia – antenção! O ramo da medicina que trata dos ossos e articulações é a ortopedia! Os osteopatas não são médicos! Também conhecidos como “endireita”, a única coisa que o osteopata, tal como qualquer massagista, pode fazer é aliviar uma dor de costas. De resto, as bases são erradas, as conclusões são erradas e os resultados, quando existem, são um efeito placebo.

Acupunctura – as únicas agulhas que, comprovadamente, fazem bem à saúde quando espetadas no corpo humano são as das seringas. E mesmo assim, convém que injectem uma vacina ou um medicamento… Não há nenhum estudo que apresente resultados estatisticamente relevantes (além do efeito placebo) a favor da acupunctura ou das crenças no “chi” e nos “meridianos” que lhe servem de base.

Quiropraxia – estes acreditam que todas as doenças estão relacionadas com problemas na coluna vertebral. São contra as vacinas, a adicção de fluor ou cloro na água e de iodo no sal, entre outras parvoíces que não podem ter outro nome senão Terrorismo Social.

Dado que não faz parte das funções de uma Junta de Freguesia o proseletismo, promoção ou patrocínio de crenças ou práticas que se baseiam em princípios reconhecidamente falsos e que colocam em causa a segurança e a saúde pública, venho por este meio pedir ao senhor Presidente Vítor Machado e à senhora Vereadora Sandra Pereira que exclareçam publicamente a sua associação a este evento, dado que nele participaram enquanto titulares de cargos públicos.

Com os melhores cumprimentos!
António Gaito

O texto acima foi escrito com o maior desprezo pelo Acordo Ortográfico.

António Lopes Pereira Gaito

http___www.novaodivelas.pt_pdf_381.pdf

Microgera..[1].ppt

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