Crítica marxista ao ecologismo

Viva!

Via Velha Toupeira – Uma Biblioteca Comunista, não resisto a partilhar excertos de dois ensaios em que o movimento ecologista é analisado de uma perspectiva marxista. Na minha posição, a que alguns chamarão de “direita”, é interessante constatar que, não só o ecologismo é supra-ideológico, como também o é a sua crítica.

O movimento ecológico é hoje o inimigo oculto

«Como todos os ideólogos das classes exploradoras, os ecológicos são utópicos nas suas profecias, mas profundamente realistas nas pro­postas práticas imediatas, que partem do actual declí­nio das taxas da produtividade e do lucro: reorga­nização dos investimentos, orientados para a reno­vação das condições gerais de produção; travagem do progresso técnico aplicado aos bens de consumo e, para preparar uma baixa de salários de longa dura­ção, insistência na criação de hábitos frugais, ou seja, diminuição das condições de vida socialmente admi­tidas como médias. Estas são as duas facetas indis­solúveis das ideologias ecológicas: expansão da pro­dutividade nas condições gerais de produção e res­trições ao consumo

«O pro­grama ecológico é, assim, a mais extremada mani­festação contemporânea do imperialismo. Apresenta-se o baixíssimo nível de vida dos países exporta­dores de matérias-primas como modelo a impor ao proletariado dos países industrializados. A elite dos gestores que encabeça as correntes ecológicas tece o elogio de formas de exploração pré-capitalistas, delas pretendendo reproduzir os hábitos de vida e o nível do consumo. Supremo cinismo, só igualado pelos capitalistas de outrora, quando o escravo era apon­tado ao proletário como exemplo de obediência, padrão do consumo, modelo de virtudes.»

«A «alienação do consumo» não resulta da quantidade de bens que se consomem. O problema não é o que se consome, e sim como se produz. Pretender eliminar essa situação consumindo menos terá unicamente por conseqüência acrescer à miséria social da alienação a miséria física. Para um ponto de vista revolucionário a crítica ao consumo capitalista só tem sentido como um dos aspectos decorrentes da luta central contra o processo de explo­ração, e propor que as pessoas consumam menos sob o pretexto de que assim atacariam o capitalismo é tão imbecil e tão reaccionário como seria impor aos proletários um salário menor invocando o argumento de que assim pôr-se-ia em causa o regime do assa­lariamento

«Igualmente alheias ao movimento operário são as concepções de outra cor­rente ecológica que, ou porque mais modernista, ou porque mais preguiçosa, defende a automatização completa da produção e afirma que toda a forma de trabalho é escravizante. Esta tese limita-se a extre­mar a característica mais reaccionária da tecnologia capitalista, aquela onde o carácter explorador e opres­sivo do capitalismo mais directamente se reproduz: a cisão entre o produtor e o processo de produção

«Possível desde já e, por isso, absolutamente necessário é apontar a cisão fundamental que atravessa o novo campo de união, de classes, que poderá eventualmente vir a ser o mais perigoso ao longo deste processo de reorganização do sistema capi­talista. O movimento ecológico é, hoje, o inimigo oculto

ECOLOGIA DA TERRA E SANGUE

«Podia somar interminavelmente exemplos, todos eles demonstrativos de uma regra única, a de que, proporcionalmente ao nível de produção pretendido, as tecnologias mais toscas são as que ocasionam efeitos secundários mais consideráveis e que perturbam áreas mais vastas. O mito da natureza é inseparável do mito do bom selvagem, em harmonia com o meio circundante

«É de mitos que aqui se trata, e esses são tanto mais sólidos quanto mais cegamente resistem às demonstrações que os invalidam. Seria uma grande ingenuidade imaginar que o exercício da crítica contribui para pôr em causa os mitos alheios. Pelo contrário, reforça nos outros a solidez das convicções. Se a fé é cega, parece que a cegueira é a condição prévia das crenças irracionais.»

«Entre o culto da natureza, enquanto apologia da autoridade e da tradição, e a invocação das raízes, enquanto justificação do massacre rácico, a ecologia contemporânea encontra o seu quadro inspirador

Cumprimentos!

António Gaito

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