Diário Económico não sabe «o que precisa saber para instalar um sistema solar»

Viva!

Este artigo do Diário Económico é uma peça de jornalismo brilhante: http://economico.sapo.pt/noticias/o-que-precisa-saber-para-instalar-um-sistema-solar_114857.html.

Não só, quem o escreveu – uma tal Ana Cunha Almeida –  não sabe a diferença entre energia fotovoltaica e solar-térmica como, ao confundir as duas, não se percebe nada! Segue o texto integral com alguns comentários:

«Investir num modelo de energia solar é uma opção que faz cada vez mais sentido.

[Poucos dias depois de o B.P.I. demonstrar que não faz qualquer sentido.]

Eectricidade solar ou energia fotovoltaica é a produção de energia eléctrica a partir da radiação solar. E apesar de ainda haver um longo caminho pela frente no que respeita à massificação deste tipo de energia limpa nas casas e nas empresas portuguesas, começa a haver mais informação e uma maior consciência dos benefícios que o investimento num modelo de energia solar pode trazer. [Está a falar de fotovoltaica.] É que “um sistema bem dimensionado permite poupar até 70% da energia necessária para o aquecimento de água que é usada”, avança Pedro Almeida, engenheiro mecânico a trabalhar na área da consultoria energética. [E agora, mistura com solar-térmica.] O mesmo responsável acredita na “massificação da produção, no futuro será uma realidade ver grande parte dos edifícios com esta tecnologia instalada” e lembra apenas o caso da Alemanha. Se este país, com menos horas de sol,tem uma área colectora instalada muito superior à portuguesa, então, facilmente se percebe que Portugal pode facilmente atingir esse objectivo de massificação. Mas antes de investir há um conjunto de questões que precisa de perceber. O Diário Económico, com a ajuda de especialistas do sector, responde às perguntas de quem está a estudar a hipótese de instalar um sistema de energia solar. [Se calhar, a menina que escreveu isto devia ter perguntado aos “especialistas” qual é a diferença entre as duas formas de aproveitamento de energia solar…]

1 – Em que tipo de estrutura arquitectónica é mais fácil a implementação de painéis solares?
A implementação de painéis solares torna-se mais fácil em estruturas de baixa altura e de preferência unifamiliares como moradias e edifícios de serviços com um a dois pisos.

2 – Que tipos de painéis solares existem ?
Cerca de 90% dos painéis solares eléctricos instalados no mundo são feitos de silício cristalino, embora alguns fabricantes que produzem painéis em silício amorfo. Os pequenos painéis que alimentam algumas maquias de calcular são também de silício amorfo. Outros fabricantes ainda produzem os chamados painéis de filmes finos, utilizando células solares de materiais com o cadmium telluride (CdTe) ou o Cobre Indio Desilenio (CuInSe2 ou CIS). [Só faltou dizer o mais importante: há os que produzem electricidade e os que aquecem água!]

3 – Quanto custa montar um sistema solar numa moradia?
É difícil dizer com exactidão qual o preço, pois esse irá sempre variar em função de várias variantes. variar em função de várias variantes» – MUITO BOM este português!] Não depende apenas da dimensão da casa, mas também de todos os consumos feitos nessa casa e do número de utilizadores desse agregado familiar. Mas o custo final da implementação de um sistema solar está também dependente das dificuldades de montagem, da intensidade de radiação solar. Mas montar um sistema solar numa moradia unifamiliar ou edifício com dois utilizadores poderá representar entre os 2000 a 3000 euros. É importante ter em conta ainda os custos da manutenção. [Pronto! Aqui já percebi que estão a falar da solar térmica – é que a fotovoltaica custa umas quinze vezes mais…]

4 – É possível montar painéis solares também em prédios?
Sim, é possível. Mas é sempre uma situação onde, na generalidade dos casos, é mais difícil conseguir a concordância de todos os condóminos para fazer esse investimento. A dificuldade encontra-se no consenso de todos e não na inviabilidade da instalação. Nos prédios poderá dar-se a instalação de painéis solares nos telhados ou a sistemas independentes por condómino, embora a melhor solução seja sempre um sistema colectivo que abranja todas as fracções.

5 – E quando terei o retorno do investimento?
Dependendo da utilização, o retorno do investimento só acontece no espaço de oito a dez anos. [Continuam a falar da solar-térmica, porque, se fosse da fotovoltaica para o mercado doméstico, a resposta seria: NUNCA!]

6 – O que preciso de saber antes de decidir pela implementação de um sistema solar em casa? [Para começar, convém saber a diferença entre os dois sistemas…] 
Tem que ter presente quais são os seus hábitos de consumo energético [resposta para fotovoltaicas – electricidade], saber quais são as suas necessidades reais em cada mês par, assim, fazer contas. Precisa sempre de fornecer estas informações na altura de encomendar ou discutir sobre o modelos de sistema solar ideal para a sua casa. Recapitulando, precisa de saber: número de utilizadores, consumos estimados, local de instalação/radiação solar, horário de consumo. A actual legislação fala num consumo de 40 litros/dia/pessoa [mas, tinham de misturar com solar-térmica – água quente] .

7 – De quanto em quanto tempo é preciso fazer manutenção ao sistema de energia solar?
Se muitos dos sistemas solares instalados nos anos 90 acabaram por se avariar tal ficou-se a dever precisamente à falta de manutenção. Hoje, sempre que é feita a instalação de um colector solar faz-se também um contrato de manutenção a seis anos com uma empresa certificada. A manutenção deverá ser feita todos os anos e consiste na verificação da operacionalidade de todos os equipamentos instalados, isto é, perceber se está tudo a funcionar correctamente. Um sistema solar é fabricado para durar entre 20 a 25 anos. Caso não seja feita a sua manutenção poderá ter um período de vida de apenas cinco a dez anos. [Embora não expliquem, estão a falar dos painéis que aquecem água – os que produzem electricidade não duram metade!]

8 – É possível ser-se auto-suficiente energeticamente com a energia solar e fotovoltaica? [Parece que, chegando aqui, já sabem que há duas, mas, tinha de vir a asneira: são as duas solares! Dah!] 
“Ainda que fosse possível, não é desejável”, responde João Carvalho, vice-presidente da APISOLAR – Associação Portuguesa da Energia Solar. “A segurança do abastecimento passa pela exigência de um mix energético equilibrado”, acrescentou o mesmo responsável.

9 – Quais as zonas do país mais favóráveis ao desenvolvimento de energia solar?
Atendendo que Portugal é um dos países da Europa com maior radiação solar, qualquer ponto do País é excelente para a produção de energia solar. João Carvalho explica que até os “locais com recursos solar mais pobre são ainda muito mais atractivos de que os melhores locais em países onde a tecnologia se encontra amplamente difundida, como a Alemanha.” A zona mais interessante para Daniel Montoro, scientific officer da EPIA, “é, sem duvida, Sagres.”

10 – E quando não há sol? No Inverno os painéis solares térmicos também funcionam?
Sim. Em média, a energia solar disponível no Inverno fornece cerca de 60% das necessidades. Quando há dias de pouco Sol, o sistema de apoio entra em funcionamento. Nestas alturas posso utilizar a energia acumulada em baterias ou se estiver ligado à rede eléctrica, posso utilizar electricidade directamente da rede. [Mesmo assim, acho que a melhor tecnologia solar é a que até produz electricidade de noite…]

11 – Quantos anos pode durar um painel?
Grande parte dos fabricantes oferece garantias de 25 anos. Mas claro que tem de ser sempre assegurada a manutenção do equipamento, até porque há componentes como baterias ou circuitos electrónicos de controlo que tem um tempo de vida mais curto, que põem variar entre os três e os 15 anos

12 – Ainda preciso de gás ou electricidade depois de adquirir um painel solar térmico?
Sim, mas este é um recurso que acaba por ser entendido apenas como um apoio ao sistema solar. O sistema será instalado dando prioridade ao Sol garantindo que toda a energia gratuita é aproveitada permitindo assim que a redução possa atingir os 70% (considerando um ano de utilização) e que durante os meses de Verão a energia de apoio (gás ou electricidade) não seja sequer consumida.

13 – Se tiver um painel solar térmico, deixo de ter custos com água quente no futuro?
O sistema termossifão 200l e 300l, permitem poupar até 70% dos custos para preparar a água quente. Não é totalmente isento de custos, dado ter que instalar o sistema solar, mas reduz significativamente os custos da energia para aquecimento da água, uma vez que a energia do Sol é gratuita. A recuperação do custo da instalação é feita com as poupanças de energia ao longo de poucos anos.»

Só para esclarecer alguma má interpretação: sou defensor do investimento na tecnologia solar-térmica. É uma tecnologia madura, fiável, economicamente acessível e com benefícios económicos e ambientais comprovados.

Oponho-me, como qualquer pessoa minimamente informada, é ao investimento público, em larga escala e subsidiado nas fotovoltaicas! Trata-se de uma tecnologia imatura, ineficiente, ridiculamente cara, sem qualquer proveito económico ou ambiental.

Mesmo assim, aquilo a que me oponho mais é ao jornalismo de propaganda, sem isenção, sem investigação, sem rigor e sem respeito pela língua portuguesa!

Cumprimentos!

António Gaito

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: