Quando os pesticidas são a última opção…

A única alface "rossa di trento" sobrevivente, das seis atacadas... Só sobrou uma folha!

Viva!

Desde que me iniciei na agricultura por hobby, sempre tive por princípio conciliar os conhecimentos mais recentes com as práticas mais naturais. A minha primeira desilusão foi com a permacultura – quem me mandou ser preguiçoso e deixar hortícolas difíceis, como o tomateiro, crescer sem atenções nem cuidados? É a mesma coisa que tentar formar um neurocirurgião com os conhecimentos de uma tribo amazónica! Desde 2004, é o primeiro ano em que, parece-me, vou ter tomate…

Também aprendi que, num espaço limitado de terreno, se queremos ter uma produtividade razoável, além da incorporação de matéria orgânica no solo e da consociação de culturas, o adubo químico é fundamental! Doses moderadas de adubo NPK com micronutrientes evitam o remeximento da terra para estrumagem, o que é importante quando não podemos mexer na terra sem danificar as culturas.

A segunda cedência aos milagres da indústria química foi quando, devido à natureza basáltica do solo original (os canteiros que “fiz”  já têm um substrato com PH mais equilibrado), se instalou a clorose férrica. O sulfato de ferro, não só curou e preveniu novos aparecimentos da deficiência em ferro, como estimulou o desenvolvimento e frutificação da videira, limoeiro e clementineira – ao fim de um ano sem crescimento!

Devido à concentração de culturas susceptíveis de infecções fúngicas (sobretudo os tomateiros), este ano não hesitei em prevenir. Videira (moscatel roxo), citrinos (limão e clementina), solanáceas (tomate, pimentos doces e malaguetas) e cocurbitáceas (pepinos, abóbora, melão e melancia) são sulfatadas regularmente – calda bordalesa a cada duas semanas no tempo húmido e, no tempo seco, antes das chuvas.

Nesta altura, se tiver de aplicar Calda Bordalesa, diminuo a concentração para não incomodar estes amigos.

Nada disto, porém, vai contra os meus princípios, embora gostasse de evitar… Aquilo a que sempre resisti foi aos pesticidas! Os caramujos (um tipo de caracol), apanhava-os à noite. Este ano, no canteiro novo, tive uma infestação de lesmas que, após inúmeras apanhas nocturnas, ultrapassei com cerveja e borra de café. Mas nada me preparou para a máquina trituradora, a destruidora de meses de trabalho e dedicação, a peste que mais transtorno me causou até hoje: a caracoleta!

O meu limite de tolerância foi atingido com a destruição total e irreversível de uma fileira de alfaces durante a noite. Nenhuma pesquisa me deu uma solução viável para limitar os danos destes blindados insaciáveis – excepto os moluscicidas! Cedi…

Não conto ceder com os afídeos (e respectivas formigas) que me colonizaram a clementineira. Nem com a “ferrugem” do alho – um fungo que ameaça as aguardadas “cabeçorras”. E espero não ter necessidade de o voltar a fazer, mas, se o engenho humano nos deu as armas de último recurso para proteger os frutos da terra, porque não usá-las? O perigo só começa, na maior parte dos casos, com o uso sistemático e desnecessário dos agro-químicos.

Cumprimentos!

António Gaito

3 Respostas to “Quando os pesticidas são a última opção…”

  1. Quando os pesticidas são necessários – II « Quarta República Says:

    […] da cedência que já referi aos pesticidas,  com um sucesso notável, uma nova praga levou-me a comprar um […]

  2. Caracois e alterações climáticas e pseudo-ciência: quem gostar, coma-os… « Quarta República Says:

    […] ameaças são os ecologistas que os estudam e os apreciadores que os comem! Eu, que não gosto, até os enveneno na minha micro-horta. No próximo ano, talvez mude de atitude e comece a fazer negócio com a minha praga, a Helix […]

  3. Coitados dos pepinos espanhóis! « Quarta República Says:

    […] que o leitor compreenda melhor aquilo que quero dizer, convém ler isto e isto. Depois, com facilidade se comprenderá que sou um defensor da agricultura tradicional, mas, […]

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: