Um argumento contra a reserva fraccionária

Viva!

No seguimento de uma troca de impressões, pareceu-me conveniente refutar o argumento mais usado a favor da reserva fraccionária: se os bancos tiverem de manter 100% dos depósitos à ordem, estrangula-se a economia, já que não há dinheiro para emprestar às empresas.

A economia mundial já funcionou sem a engenharia financeira que permite aos bancos privar-me de 98% dos meus depósitos. Num sistema em que o valor nominal da moeda corresponde a um bem real – como o padrão-ouro – e os bancos são obrigados a conservar os meus depósitos, não há expansão da moeda em circulação pela inflação.

Se o dinheiro que ganhamos tem tendência a desvalorizar, em vez de poupar, gastamos ou investimos – cria-se uma bolha que leva a crises cíclicas do capitalismo. Se temos uma moeda de confiança que, por ter um valor garantido num bem real, podemos utilizar em qualquer parte do mundo e em qualquer altura, não estando sujeita a flutuações do mercado cambial, temos um incentivo à poupança.

Se esse incentivo à poupança se traduzir em depósitos a prazo e aplicações financeiras em que o depositante ou investidor concorda com a concessão de crédito a terceiros, o crédito aos agentes económicos está garantido – ganha o depositante ou investidor que recebe juros e dá consentimento à utilização do seu dinheiro, ganha o banco que recebe juros e não fica sujeito a problemas de liquidez e ganha o contratante do crédito, já que tanto o valor da moeda como a taxa de juro são previsíveis. Não é tão lucrativo para a alta-finança, mas, garante estabilidade e justiça!

Aquilo que não se pode tolerar, e que existe no sistema actual em que socialismo e capitalismo desenfreado têm interesses comuns, é a privatização dos lucros e socialização dos prejuizos. Um mercado verdadeiramente livre não distribui riqueza nem aumenta a diferença entre ricos e pobres – é justo! E isso não interessa…

Cumprimentos!

António Gaito

3 Respostas to “Um argumento contra a reserva fraccionária”

  1. joao matos Says:

    Um mercado verdadeiramente livre não distribui riqueza nem aumenta a diferença entre ricos e pobres – é justo!

    como é que um mercado livre é justo?

    o ouro tal como o dinheiro vale o que quiserem pagar por ele…. para além disso tu depositas a 0.0005 % e pedes a 20% ou 30 %. só consegues mais num sistema como o actual onde o risco associado a corrupção da milhões.

    para além disso continuas com os mesmos problemas, se tens podes ter mais, se não tens continuas na merda.

  2. quartarepublica Says:

    Um mercado em que os agentes publicos regulem e supervisionem, em vez de intervir; em que os agentes privados tenham liberdade de inovar, investir e criar oportunidades sem estrangulamentos ao crescimento; em que a riqueza de quem trabalha não seja distribuida por quem não trabalhou para ela; em que a mão-de-obra é remunerada na justa proporção da produtividade; em que o mérito é premiado e serve como principal factor de diferenciação – isto, no meu entender, é justo!
    O conceito de padrão-ouro é extensível a qualquer bem (ou conjunto de bens).
    O que tu estás a criticar é o mesmo que eu: o modo de funcionamento do sistema bancário actual!
    «Se tens podes ter mais, se não tens continuas na merda.» Mas, num sistema de reservas integrais, não há o actual desvio de recursos do sector produtivo para o sector especulativo. O dever do Estado, entre outros, é proporcionar-te as oportunidades (educação, segurança social, justiça, equidade fiscal, etc.) – o resto é contigo! E é isso que não acontece hoje…

  3. Quarta República Says:

    […] Dívida Pública portuguesa; sabendo que, para manter a liquidez (algo que não seria necessário caso não houvesse reserva fraccionária) teve de pedir um empréstimo garantido pelo Estado, ou seja, por nós; sabendo que o senhor […]

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