Tributo ao Eng.º Rui Moura – a sua última entrevista

Artigo convidado de José Maria Pignatelli:

Rui G. Moura - 1930-2010

 

Não somos capazes de alterar o clima!

 A poluição é tema ambiental e não climático. Felizmente que os humanos não têm poder para alterar o clima. A poluição é um tema a tratar pelos ambientalistas que nunca deviam tê-la misturado com o clima.

Os gases antropogénicos não têm interferência detectável do ponto de vista climático. A sua influência é infinitamente pequena. Há fenómenos que comandam a dinâmica do clima que têm uma importância infinitamente grande quando comparada com a dos gases antropogénicos com efeito de estufa.

Quer isto dizer que, se fosse possível retirar da atmosfera todos os gases antropogénicos com efeito de estufa, a dinâmica do tempo e do clima continuaria a ser exactamente a mesma.

As diversas poluições dão cabo do ambiente, como que dizer dos nossos rios, planícies, florestas, praias, lagoas, fauna, flora, etc.

Em Portugal tivemos quem defendesse esta tese – o Eng.º Rui Moura, que faleceu inesperadamente em resultado de uma intervenção cirúrgica.

Rui Moura foi professor universitário, um dos autores do Plano Energético Nacional de 1992, antigo membro da Comissão Europeia, admirador confesso de Jacques Delors e autor do interessante mitos-climaticos.blogspot.com. Foi também um conferencista e cativou centenas de pessoas, sobretudo jovens estudantes

Pela pertinência do tema, num momento em que se fala cada vez mais nas energias alternativas também num contexto de protecção ambiental e se envolve a temática numa acção de marketing quase universal, recordo aqui a entrevista que fiz ao falecido Eng.º Rui Moura, para a revista generalista Festa.

 – Qual a razão ou razões que o levaram a abraçar a discussão dos temas relacionados com a climatologia? E porque entende que este assunto está definitivamente separado das questões ambientais? Esta vontade nasceu, simplesmente, como resultado do seu mestrado em meteorologia?

Eng.º Rui Moura: – «Trabalhei na Comissão do Plano Energético Nacional e participei na elaboração do último Plano Energético Nacional de 1992. Durante os trabalhos de execução deste plano apareceu a oportunidade de, pela primeira vez em Portugal, estudar a ligação do sector energético nacional com as emissões de gases para a atmosfera que era um tema da actualidade na Comissão Europeia. Em 1992, publicou-se o relatório do Ministério da Indústria e Energia – de que na altura era ministro o Eng.º Mira Amaral – designado «Incidência Ambiental da Evolução do Sistema Energético. Emissões de SO2, NOx, CO2. 1990-2010.».

E Rui Moura explica: «Durante a preparação dos estudos que originaram este relatório, tive oportunidade de discutir com os especialistas portugueses ligados ao assunto e verificar a falta de profundidade de conhecimentos existentes nesta matéria, a nível nacional e, como me reformei logo a seguir e dediquei-me ao estudo aprofundado da climatologia para tirar dúvidas e enriquecer os meus conhecimentos».

 «Depois do curso de mestrado ao participar num fórum internacional com os maiores meteorologistas e climatologistas internacionais – com opiniões diversas e às vezes contraditórias» – adianta o investigador – «descobri os trabalhos do climatologista francês Prof. Marcel Leroux que, baseado nas observações meteorológicas confirmadas pelas dos satélites, que iniciaram a sua tarefa em 1979, demonstrou que se deveria separar as questões da poluição ambiental das da climatologia. De facto, em 1975/76 verificou-se uma variação brusca da dinâmica do clima – como tantas outras que sucederam na história climática – que nada teve a ver com a poluição. As ondas de calor é que dão origem à poluição e não é esta que dá origem às ondas de calor. As ondas de calor são originadas pelas altas pressões atmosféricas ao nível da superfície.»

 – O que acaba de afirmar chegou para gerar a motivação que o levou a editar o blogue Mitos Climáticos e a mantê-lo desde 2005?

Eng.º Rui Moura – «Foram colegas meus que abriram o blogue e disseram: – Agora é só escrever! No primeiro e no segundo ano do blogue publiquei uma espécie de tratado de climatologia moderna. Tive algum apoio do Prof. Marcel Leroux que me aconselhou determinadas pistas para explicar as suas teorias modernas. Não posso deixar de recordar colegas e amigos que me têm ajudado especialmente na revisão dos textos pois sou o único responsável pelo conteúdo do blogue. São os leitores que me incitaram a manter o blogue. Curiosamente, os brasileiros são dos mais entusiastas com o desenvolvimento do meu trabalho. »

Se fosse possível retirar da atmosfera

todos os gases antropogénicos com efeito de estufa

a dinâmica do tempo e do clima

continuaria a ser exactamente a mesma

 – A terra transformou-se numa enorme lixeira – foi uma das frases que fez história. Creio mesmo que foi uma das afirmações causadoras do entusiasmo pelas questões relacionadas com o ambiente. Também lhe devemos juntar os lixos tóxicos despejados nas «lixeiras oceanográficas». E estas questões acabaram por alimentar um alarmismo provavelmente exagerado e consequentemente uma discussão pública por vezes muito pouco racional.

Foi assim ou não? Continuamos ainda a viver esse período?

Eng.º Rui Moura – «Dizer que a Terra se transformou numa enorme lixeira é uma visão distorcida da realidade. De facto, existem abusos que devem ser contidos com legislação nacional e internacional. Mas este tema da poluição é um tema a tratar pelos ambientalistas que nunca deveriam tê-la misturado com o clima. Deste modo, dispersam meios que não conseguem alterar o rumo natural do clima e que poderiam ser aplicados a lutar contra a poluição.»

E prossegue: «A confusão que o movimento ambientalista radical promoveu prejudicou seriamente a resolução de problemas ambientais que poderiam ser resolvidos sem alarmar inutilmente a opinião pública com um não-fenómeno. Se fosse possível retirar da atmosfera todos os gases antropogénicos com efeito de estufa a dinâmica do tempo e do clima continuaria a ser exactamente a mesma como é actualmente com a existência deles. Os gases antropogénicos não têm interferência detectável do ponto de vista climático. A sua influência é infinitamente pequena. Há fenómenos que comandam a dinâmica do clima que têm uma importância infinitamente grande quando comparada com a dos gases antropogénicos com efeito de estufa.»

  – O Engº Rui Moura é claramente contra a tese do «aquecimento global». Porque razões? E existem ou não emissões que geram o «efeito de estufa»? Os cientistas e políticos ao abordarem estes temas estão a falar da mesma coisa? Ou existe aqui uma enorme confusão entre as duas afirmações?

Eng.º Rui Moura – «A resposta anterior contempla esta nova questão. Diz bem quando fala em tese pois é errado falar em “teoria do aquecimento global”. De acordo com a teoria do conhecimento, é até mais uma ideia do que uma tese. A tese implica um salto qualitativo em relação à ideia separando factos que se incluem na ideia de factos que se excluem. A tese seria a ideia com a inclusão dos factos que a sustentam e a exclusão dos factos que a refutam.»

E garante: «Mas nem isso foi feito… Depois da tese seria necessário realizar ensaios reais para sustentar a sua verificação.»

«Conhece algum?», interroga-se o engº Rui Moura que levanta nova questão: «Alguém conhece algum ensaio real que verifique a tese?»

E responde rapidamente: «Não existem ensaios reais de observação na Natureza da causa do efeito de estufa antropogénico sobre o clima. Pelo contrário, numa situação de onda de calor – uma observação real da Natureza – o efeito de estufa antropogénico é refutado. Se ele existisse, a pressão atmosférica baixava no local da onda de calor e arrefecia. Mas não só não baixa a pressão como não arrefece. A pressão atmosférica sobe e mantém a onda de calor. A onda de calor acaba devido a uma fenómeno absolutamente natural que é o da chegada de ar anticiclónico extremamente violento que rasga o ar quente que se estabeleceu anteriormente.»

As temperaturas estão a descer desde 2001

 – Definitivamente os humanos não têm capacidade para alterar o clima? Apenas o ambiente?

Eng.º Rui Moura – «Exactamente. Se tivessem capacidade de alterar o clima a nível global já imaginou quantos conflitos não surgiriam? Um queria mais frio e outro mais calor. Era uma disputa inimaginável. Os humanos só interferem localmente quando modificam as condições de recepção solar, por exemplo, construindo estradas com alcatrão. Mas a alteração é micro local!»

 – Dadas estas respostas porque razões andam a fazer crer que o clima está a mudar e a terra a aquecer?

Eng.º Rui Moura – «É uma resposta que deveria ser dada por sociólogos, por exemplo. Há uma convergência de interesses entre cientistas sem escrúpulos, políticos ignorantes, ambientalistas sem escrúpulos ou ignorantes, jornalistas incumpri dores do código deontológico da profissão, etc. Neste etc temos de colocar a fragilidade da ciência climatológica que não está actualmente habilitada a explicar o que se está a passar devido a conceitos ultrapassados pelo menos desde que se iniciou a observação dos satélites. Falta acrescentar que a Terra deixou de aquecer desde o início do séc. XXI. Todas as observações, de balões, de termómetros e de satélites, mostram que as temperaturas estão a descer pelo menos desde 2001. É mais uma prova da refutação da relação causa efeito entre concentrações de dióxido de carbono e temperaturas, já que as concentrações continuaram e continuam sempre a subir. »

 – Gostava que explicasse quais são as emissões que a queima de combustíveis fósseis, particularmente dos derivados do petróleo faz e quais delas são as mais prejudiciais aos humanos?

Eng.º Rui Moura – «Não sou especialista de poluição. Esta especialidade faz parte do estudo do ambiente. Mas desde já posso afirmar que o dióxido de carbono não é um gás poluente. A combustão dos combustíveis fósseis provoca a emissão de gases poluentes que não o CO2. Este é arrastado sem culpa no cartório. A preocupação seria a de reduzir os gases poluentes e não o dióxido de carbono. A paranóia do CO2 obscurece o caminho que deveria ser seguido. É uma idiotice completa falar numa economia sem carbono.

A magia de Delors

Tinha uma estratégia para a construção europeia

e quando tinha dúvidas reunia os melhores

 O Eng.º Rui Moura trabalhou na Comissão Europeia à época do presidente Jacques Delors. Dedicou-se às questões energéticas endógenas, ambientais, de telecomunicações e de desenvolvimento regional e privou com ele. Conhecemos a sua convicção de que Jacques Delors foi o mais importante presidente que a Comissão Europeia teve. A que se deve o seu entusiasmo quando se fala de Delors?

 Eng.º Rui Moura – «Jacques Delors era um dirigente de alto nível. Tinha um rumo para a construção europeia, traçava metas, avaliava os resultados, corrigia os desvios. Estava sempre a pensar no futuro da Europa. No mês de Janeiro de cada ano discutia com os seus colaboradores o ano respectivo. Nos 11 meses restantes pensava já nos anos vindouros. Quando tinha dúvidas reunia com os que considerava melhores em cada matéria – sem olhar a cores políticas – e tirava conclusões que serviam para aplicar no futuro. Era capaz de passar um fim-de-semana fechado algures na Europa com peritos europeus e não só de determinado assunto até chegar a alguma conclusão. Se não obtivesse resultados era assunto a debater mais tarde.»

Para Rui Moura: «Jacques Delors respeitava toda a gente. Já agora, compreendia os problemas dos países mais atrasados depois de os estudar em profundidade em colaboração com especialistas desses países e estrangeiros que conhecessem a fundo as matérias. Poderia acontecer que um francês, por hipótese, soubesse a fundo os problemas da indústria têxtil de Portugal. Pois era com certeza ouvido por Jacques Delors. Neste caso não se limitaria a ouvir apenas portugueses.»

 

2 Respostas to “Tributo ao Eng.º Rui Moura – a sua última entrevista”

  1. Lura do Grilo Says:

    Saudade de um homem bom, íntegro e racional: qualidades difíceis de encontrar juntas nos dias que correm.

  2. quartarepublica Says:

    Vou-lhe contar uma história que, talvez, já tenha contado nos artigos mais antigos:
    Estava eu, em 2007, numa aula de Génese e Evolução da Humanidade, com o professor Cunha-Ribeiro – na altura director do IGESPAR. Primeiro semestre do primeiro ano de Arqueologia, na Faculdade de Letras de Lisboa. O professor apresenta um diapositivo com uma reconstituição paleoclimática, desde o paleolítico inferior até ao presente, e diz qualquer coisa como: «ao olhar para uma coisa destas, deviam questionar-se sobre aquela coisa do “aquecimento global”!».
    Esse dia mudou a forma como encaro a ciência. Passei a noite sem dormir, agarrado ao computador e, pela primeira vez, li o “Mitos Climáticos”.
    Correspondi-me algumas vezes com o Rui Moura, uma dessas vezes sobre o degelo do “permafrost”. E, caso fosse vivo, gostaria de lhe explicar hoje aquilo que ele, na altura, não sabia explicar. O saldo, porém, foi positivo para mim – aprendi muito e em primeira mão com ele… Não aspirava a ter explicação para tudo, mas, aquilo que explicava era com conhecimento e é esse rigor que está a desaparecer.
    Resta-nos, sem partidarismos, sem alinhar em causas, defender a integridade da ciência. Defender o pragmatismo político com base na realidade e não em ideologias retorcidas e catastrofistas. Ter, enfim, bom-senso – um bem cada vez mais escasso.

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