O que é hiperinflação?

UPDATE – erro de português («inflacção») corrigido.

«Zim Dollars» são dólares do Zimbabwe.

Viva!

Sem querer abusar da paciência dos leitores, desafio-vos a responder abaixo, na caixa de comentários, se têm mais ou menos poder de compra – ou seja, se o vosso ordenado dá para comprar mais ou menos coisas – desde que começaram a trabalhar (quer tenham 16 ou 90 anos), antes de lerem o resto deste artigo…

O dólar do Zimbabwe é um caso único de hiperinflação. Porém, não estamos a salvo de o Euro seguir o mesmo caminho… Basta tentar salvar a moeda única europeia, imprimindo mais moeda para pagar as Dívidas Nacionais: e é isso que está a acontecer, como já referi! Chegando ao ponto em que nos encontramos, para que não me acusem de ser anti-europeu – quando, por defender o mesmo, há uns anos atrás seria um eurocêntrico – parece-me conveniente explicar que não sou contra uma moeda única… Sou contra o Euro!

Relembro o que já escrevi: «O aumento dos preços dos produtos NÃO É INFLAÇÃO! A inflação é, ao contrário do que a maior parte dos economistas tenta impingir, o aumento da massa monetária, ou seja, da moeda a circular. O aumento dos preços tem a ver com o “índice de preços ao consumidor” – o aumento anual dos ordenados tem por base a “taxa de inflação”que, na verdade, é o “índice de preços ao consumidor”. Se este índice é calculado com base num cabaz de produtos considerados essenciais, o seu valor corresponde ao aumento de preço desses produtos. Vamos agora ser francos e colocar-nos no lugar dos governantes: se precisamos de apresentar uma coisa a que chamamos “taxa de inflação” baixa, o que vamos fazer é escolher os produtos que aumentaram menos e fazer os cálculos a partir daí! Trocando por miúdos, se a moeda a circular aumenta 10%, a inflação é de 10%, mas, se calcularmos o aumento do preço de um cabaz de produtos convenientemente escolhidos, e vamos supôr que esse aumento é de 3%, os ordenados vão aumentar 3%, ou seja, 7 pontos percentuais abaixo da taxa de inflação real – os ordenados aumentam, mas, o poder de compra diminui!» Portanto, qualquer pessoa PERDE PODER DE COMPRA, EXCEPTO SE RECEBER O DINHEIRO RECÉM-IMPRESSO EM PRIMEIRA-MÃO.

Quem é que recebe o dinheiro acabado de sair das impressoras? Os bancos e os Estados. A consequência é as dívidas destas entidades serem pagas ao valor da moeda no momento. Quando os credores recebem o dinheiro, este já está desvalorizado.

Porque raios, então, sou a favor de uma moeda única? Simples: sou a favor de uma moeda única, aceite por qualquer pessoa em qualquer parte do mundo – uma moeda que corresponda a um determinado peso de metais preciosos. Mais! Sou a favor de uma moeda que qualquer pessoa, empresa ou Estado pode emitir – porque independentemente do valor nominal, há uma quantidade real de bens materiais que, a qualquer momento, podem ser reclamados por quem tem as moedas ou notas.

O Euro é uma moeda intrinsecamente instável. Por maior que seja o esforço do Banco Central Europeu em manter o Euro numa determinada paridade com outras moedas, se alguns países criam riqueza e mantêm as contas públicas em ordem e outros, como nós, apostam no crescimento económico – o equivalente em economia à “pedrada” de um drogado – através do crédito, cria-se um paradoxo: países como a Alemanha precisam de menos moeda por produzirem riqueza, mas, países como Portugal, precisam de mais moeda por viverem acima da riqueza produzida. A cosequência é que a moeda que nós precisamos que seja emitida, por ser a mesma que os alemães utilizam, vai diminuir o poder de compra dos alemães… O Euro não suporta estas contradições internas!

À medida que as dificuldades aumentarem, a Bélgica e a Espanha podem precisar de ajuda finaceira. Estes gigantes económicos não podem salvar-se com empréstimos porque não há riqueza – a solução é imprimir dinheiro para lhes emprestar e, consequentemente, desvalorizar o Euro, arrastando o resto da Europa para a pobreza! Se isto acontecer, corremos o risco de ter hiperinflacção.

Independentemente daquilo que a maior parte dos economistas defende, a verdade é que “inflação” não é sinónimo de aumento dos preços, mas sim uma consequência – “inflação” é o aumento da moeda em circulação. Inflação é um eufemismo para roubo! Não se trata de um mecanismo capitalista, mas, de um mecanismo socialista de distribuição de riqueza – só que em vez de distribuir o fruto do trabalho de alguns por muitos, concentra a riqueza produzida por muitos em alguns.

No meu entender, não tendo grande formação em economia, quando a moeda recém-impressa chega aos primeiros destinatários já desvalorizada, em vez de desvalorizar quando estes pagam aos credores, temos hiperinflação. Se um gigante económico precisar de moeda recém-impressa, assim que a receber, há-de estar desvalorizada – ou seja, se a Espanha ou a Bélgica cairem e o Euro não acabar, vamos ter hiperinflação em toda a Zona Euro. Traduzindo por miúdos, tal como na imagem inicial vemos que os dólares do Zimbabwe são utilizados como substituto de papel higiénico, EXISTE UM PERIGO REAL DE O EURO NÃO VALER O PAPEL EM QUE ESTÁ IMPRESSO!

A alternativa é a expulsão das “ovelhas negras”, como Portugal…

Aquilo que defendo, portanto, é uma moeda estável. Livre do mito do “crescimento económico” – as recessões até são boas para limpar o tecido empresarial das más empresas, mas, crescimento e recessão seriam coisas matematicamente limitadas num sistema como o “padrão-ouro”. Uma moeda que possa ser guardada sem medo de desvalorização, que não seja monopolizada por um banco central, que não sirva de instrumento para concentrar a riqueza produzida por muitos nas mãos de alguns!

Sou um CAPITALISTA, com todas as letras! E o que temos não é capitalismo! É um sistema misto de capitalismo e socialismo que favorece as elites económicas e políticas. O capitalismo é democrático: qualquer um pode enriquecer ou falir, mas, todos têm as mesmas oportunidades! E o que vislumbro no futuro, sem ter o dom da clarividência, é milhões de pessoas a trabalhar o mês inteiro para receber um ordenado fixo, quando a moeda em que são pagas desvaloriza diariamente… Como neste cenário a criação de moeda é superior à criação de riqueza, o fluxo de capital processa-se num único sentido – de baixo para cima! O resultado será uma economia de subsistência e, pela quarta vez na História da Humanidade, o colapso da civilização europeia – a seguir à expansão Solutrense, ao colapso micénico e à queda romana.

É preciso, portanto, que todos saibam: há uma alternativa! O fim da moeda fiduciária, do papel que o Banco Central Europeu, os Estados e os bancos comerciais monopolizam conforme lhes interessa, sempre em detrimento de quem trabalha! Sempre, por mais inocente que pareça, com a consequencia de empobrecer os cidadãos e aumentar o lucro das elites. E sim, sou a favor de uma moeda única! Mas, o Euro não é essa moeda…

Cumprimentos!

António Gaito

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