Biomassa – uma hipocrisia ecologista

Biomassa inclui lenha, o combustível mais usado no Haiti.

Viva!

Vou tentar explicar de forma simples, para que todos entendam, porque é que os ecologistas são hipócritas ao defender a biomassa como combustível.

Começa tudo por causa desta notícia do nosso Instituto de Meteorologia:

«2011-05-11 (IM)

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) divulgou a 9 de Maio, após aprovação durante a 11 ª Sessão do Grupo de Trabalho III do IPCC e 33ª Sessão Plenária do IPCC, que se encontra a decorrer em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos, até ao próximo dia 13 de Maio, um documento destinado aos decisores políticos subordinado ao tema “Relatório Especial de Fontes de Energia Renováveis e Mitigação das Alterações Climáticas (Special Report on Renewable Energy Sources and Climate Change Mitigation – SRREN).

O relatório apresenta uma avaliação sobre os aspectos científicos, tecnológicos, ambientais, económicos e sociais da contribuição das energias renováveis na mitigação das alterações climáticas. Neste relatório destaca-se que, apesar do consumo de combustíveis fósseis continuar a aumentar, existem várias opções para reduzir os gases de efeito estufa do sistema energético, opções essas que irão exigir mudanças a nível político para atrair investimentos.

O relatório assinala que as energias renováveis contribuíram em 12,9%, em 2008, para a oferta global de energia, principalmente a partir da biomassa [negrito meu]. Conclui-se ainda que cerca de 80% do abastecimento mundial de energia poderá ser atingido com recurso a energias renováveis até meados do século, caso exista o apoio das políticas públicas.

O relatório completo será divulgado no dia 31 de Maio de 2011, e irá incluir capítulos sobre a bioenergia, a energia solar directa, a energia geotérmica, a energia hidroeléctrica, a energia oceânica, a energia eólica, a integração das energias renováveis nos sistemas energéticos presentes e futuros, a mitigação potencial e seus custos e a política, financiamento e implementação das energias renováveis

Sobre a biomassa já disse que «pode ser aproveitada para produzir metano durante a decomposição desta e, posteriormente, ser usada como fertilizante orgânico na agricultura ou como combustível em centrais térmicas para produzir electricidade». Mas, aquilo a que chamamos biomassa vai desde resíduos florestais até madeira nova!

Em Portugal, a biomassa é uma fonte de energia importante. Queima-se resíduos sólidos urbanos e lixo vegetal em centrais térmicas para produzir electricidade. No resto do mundo, a maior parte da biomassa queimada consiste em árvores abatidas para aquecer casas e cozinhar! Veja-se a imagem acima, resultado da desflorestação no Haiti, um dos maiores utilizadores mundiais de biomassa – estão a devastar ecologicamente a floresta tropical porque a população não tem acesso aos malvados combustíveis fósseis para se aquecer, cozinhar e iluminar!

Mas, não julguem os ingénuos cidadãos de boa fé, sempre dispostos a engolir as patranhas “verdes” por não haver contraditório, que Portugal é um exemplo! Veja-se esta notícia:

«A guerra verde da Sonae Indústria

Empresa reage à ameaça do desvio de madeira para a produção de energia a partir de biomassa  com argumentos económicos e ambientais.

Margarida Cardoso (www.expresso.pt)
11:21 Terça feira, 30 de novembro de 2010

A Sonae Indústria apresenta as suas fábricas de Mangualde e Oliveira do Hospital como barómetro dos problemas que o sector dos painéis de derivados de madeira está a enfrentar. Em causa está o aumento da produção de energia a partir de biomassa, que leva ao desvio de madeira para este fim.

As contas de 2010 mostram uma subida média de 18% no custo da madeira por tonelada seca e um aumento das importações da matéria-prima. Só em Mangualde, a dependência do mercado externo passou de 5% para 45% num ano.

Oliveira do Hospital, onde metade da produção é alimentada por madeira reciclada, será menos afetada. Mas Alberto Tavares, administrador ibérico da Sonae Indústria, diz que o desvio de fluxos de madeira para alimentar as centrais de biomassa na Europa “é um problema comum a toda a fileira”.

Fábricas em protesto

A paralisação das 180 fábricas europeias de painéis de derivados de madeira a 29 de outubro, num protesto conjunto contra a utilização de madeira virgem como biomassa, mostra que “a questão é europeia” e a indústria está unida nesta luta, liderada pela European Panel Federation (EPF). A Sonae Indústria, participou na ação com as suas 15 fábricas europeias de painéis.

Em causa está o desvio de matéria-prima para alimentar as novas centrais de biomassa da União Europeia (UE), colocando o sector “sob séria ameaça”, já que a escassez de madeira traz acréscimos de custos de produção e perda de competitividade. No limite, “pode haver deslocalização de produção”, diz.

Na base do conflito, estão as metas para as energias renováveis fixadas na UE e a sua transposição para cada país, com o respetivo pacote de apoios. Em Itália, por exemplo, o Estado subsidia cada megawatt de eletricidade produzida a partir da biomassa em €160, valor que justifica o facto deste país ter importado madeira portuguesa para alimentar as suas centrais.

Défice de 230 milhões

Do outro lado da equação, a Sonae é obrigada a importar madeira de França para manter a atividade em Portugal. Por isso, a empresa pede um esforço concertado na Europa para definir o que é e não é biomassa, defendendo que “só o que vem da limpeza das florestas ou o que está degradado e não pode ter outra utilização” cabe neste conceito.

Caso a legislação “continue ambígua seria preferível subsidiar a limpeza das matas”, defende Alberto Tavares. Um dos trunfos verdes desta indústria é o facto de cada metro cúbico de painéis de derivados de madeira reter duas toneladas de CO2, o que equivale ao dióxido de carbono emitido por um carro ao longo de 6300 quilómetros.

Na defesa da floresta, a Sonae Indústria refere, também, estudos internacionais sobre o aumento da procura de madeira, que preveem um défice de matéria prima de 30 a 400 milhões de metros cúbicos em 20 anos

Ou seja, como a biomassa é uma energia renovável, é subsidiada. Desta forma, fica mais barato comprar madeira nova aos silvicultores portugueses que recolher os detritos florestais. E a indústria portuguesa de madeira tem de importar porque os nossos produtores a vendem para ser queimada!

Portanto, a bandeira ecologista da biomassa existe porque em países do Terceiro Mundo, na falta de acesso à electricidade e aos combustíveis fósseis, as populações abatem árvores – uma energia “verde”. E esses mesmos hipócritas que aplaudem o uso da biomassa, algures pelo caminho contra o desenvolvimento e melhoria das condições de vida das pessoas, esqueceram-se de uma verdadeira luta ambientalista – que eu partilho – que é a defesa das florestas nativas.

Cumprimentos!

António Gaito

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