Exclusivo Quarta República: declarações de Pedro Mota Soares sobre o sector energético

Pedro Mota Soares e Miguel Xara-Brasil em Odivelas.

Viva!

O candidato do C.D.S. por Lisboa, Luís Pedro Mota Soares, falou ao Quarta República sobre as propostas que o seu partido tem para o sector energético. No final de uma acção de campanha em Odivelas, que também contou com a presença da cabeça-de-lista Teresa Caeiro, Mota Soares explicou como o C.D.S. tenciona baixar o preço da energia e aumentar a concorrência no sector.

Em declarações prestadas de modo informal, no final de um almoço que reuniu cerca de trinta militantes e simpatizantes, Mota Soares explicou as ideias apresentadas no Manifesto Eleitoral do partido e afirmou ainda que todas as hipóteses estão em cima da mesa para que Portugal possa atingir a auto-suficiência energética.

Segundo o candidato, as famílias e as empresas não podem continuar a pagar a electricidade significativamente mais cara, devido aos Custos de Interesse Económico Geral (CIEG). Os CIEG’s, em palavras suas, beneficiam os monopólios do sector, com os quais o C.D.S. tenciona acabar. Mota Soares criticou duramente a Autoridade da Concorrência (AdC) pela ineficácia e incompetência, adiantando que o C.D.S. quer extinguir este organismo e criar uma nova entidade para regular e fiscalizar o sector da energia. Sobre a privatização da R.E.N., os democratas-cristãos querem impedir que quem já detém posições noutras empresas do sector eléctrico possa tornar-se accionista deste monopólio natural de distribuição. Mota Soares referiu ainda a aposta nas renováveis e os subsídios que estas recebem. De uma forma pragmática, o candidato afirmou a necessidade de repensar esta aposta, sobretudo nas eólicas, que já constituem um fardo para os consumidores.

A Galp foi objecto de atenção especial na conversa com Mota Soares. Este criticou a posição dominante da empresa que detém o monopólio da refinação e mostrou a intenção de criar um verdadeiro mercado concorrencial nas três vertentes – refinação, distribuição e abastecimento.

Questionado sobre a possibilidade de iniciar a exploração dos depósitos de gás natural e gás de xisto na costa portuguesa, além dos hidratos de metano nas 350 milhas da nossa plataforma continental, Mota Soares afirmou que todas as hipóteses estão em cima da mesa. Para o C.D.S., a auto-suficiência energética do país é um objectivo assumido, pelo que, além de garantir a descida de preços através da concorrência e de novas políticas, a exploração de recursos naturais é uma opção. Sobre os hidratos de metano, Mota Soares relembrou que a proposta de extensão da nossa plataforma continental está muito bem fundamentada e a equipa que trabalhou nos últimos anos para levar às Nações Unidas esta pretensão, está de parabéns. Porém, não quis adiantar propostas no sentido de explorar estas reservas, enquanto Portugal não tiver efectiva soberania sobre os recursos minerais até às 350 milhas.

No final deste encontro em Odivelas, o candidato gravou ainda a comunicação que se segue:

Cumprimentos e os meus agradecimentos ao Pedro Mota Soares pela oportunidade!

António Gaito

3 Respostas to “Exclusivo Quarta República: declarações de Pedro Mota Soares sobre o sector energético”

  1. A energia no programa de governo do P.S.D. « Quarta República Says:

    […] explicar porque não concordo com as propostas do P.S.D. para o sector da energia, preferindo a linha de actuação do C.D.S., mesmo sendo esta pouco […]

  2. António José MOCHO Says:

    Li as Declarações sobre propostas para o sector energético lançadas pelo respeitado deputado do CDS, Pedro Mota Soares, e lamento mas não posso estar de acordo no que respeita a algumas observações sobre a GALP. “Criticou a posição dominante da empresa que detém o monopólio da refinação”. Critica porquê ? Mas alguém está proíbido de instalar outras Refinarias em Portugal ?? è só uma questão de investir. E alguém está impedido de importar produtos refinados para concorrer com aqueles que a GALP vende nas Refinarias ?? É o tipo de discurso fácil e com tendência demagógica. A mesma situação se passa em Espanha com a REPSOL e até hoje nenhum partido espanhol entrou por este caminho. Na Península Ibérica existem 2 refinarias em Portugal e mais 9 refinarias em Espanha. As 2 Refinarias da Galp Energia (Matosinhos e Sines) concorrem no mercado ibérico com as espanholas e no internacional com as suas congéneres da Índia e do Médio Oriente. Isto sim é concorrência. Sempre que a procura de um determinado produto aumenta o valor internacional desse produto sobe também.
    Os preços praticados à saída das refinarias da Galp Energia estão dentro dos parâmetros das cotações internacionais dos centros de formação de preço que servem de referência a todas as empresas e são sempre concorrenciais com outras alternativas, designadamente com a alternativa de importação directa de produtos refinados. Por isso, meu caro Pedro Mota Soares este tipo de discurso é frágil.
    Apesar de o preço do barril de petróleo ser um factor importante no preço final dos combustíveis, é o preço internacional dos produtos refinados que afecta directamente o preço que a Galp Energia pratica na venda aos outros operadores de distribuição de combustíveis no mercado Português e consequentemente na venda directa ao público.
    Depois, há ainda muitos outros factores que intervêem na formação dos preços e no processo de distribuição que os verdadeiros especialistas do sector podem bem melhor explicar. Isto de ser uma Empresa portuguesa que dá emprego a mais de 7000 colaboradores, que assegura e garante o abstecimento e que participa na exploração internacional de poços de petróleo que fazem diminuir a depend~encia nacional, é uma mais valia que não deve ser questionada de ãnimo leve.

  3. quartarepublica Says:

    Caríssimo! Não posso responder pelo Pedro Mota Soares nem pelo CDS, mas, posso responder por mim, de acordo com aquilo que defendo.
    O único mecanismo de fixação de preços que aceito como justo é o mercado livre: oferta/procura. E sabemos que não é assim que os preços dos combustíveis são formados, nem em Portugal, nem no resto do mundo.
    Quanto à capacidade de refinação, tem toda a razão. Mas, o que é que já foi feito para incentivar a instalação de mais refinarias em Portugal? Depois de passar pela burocracia, pelos lobbys económicos, pelos ecologistas e pelas populações, como é que vai receber o crude? Precisa de portos! Volta a ter de passar pela burocracia, pelos lobbys económicos, pelos ecologistas e pelas populações…
    Aquilo que eu defendo é o derrube dos obstáculos ao investimento! A partir daí, se ninguém quiser investir, não se pode queixar.
    Cumprimentos!

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