Quem matou o carro eléctrico?

Diagrama de uma bateria de iões de lítio, o "estado da arte" em baterias.

Viva!

No seguimento de uma campanha na Internet que relembra o EV1, um carro eléctrico que se tornou um símbolo da cartelização entre a indústria automóvel e as petrolíferas, torna-se necessário escrever este artigo. E, embora o documentário que foi disponibilizado tente ganhar pontos (perdendo credibilidade) com o mito do aquecimento global, enquanto consumidores temos de reconhecer que estas duas indústrias “mataram” os automóveis movidos a electricidade.

Para quem não sabe, os motores eléctricos são tão antigos como os motores a combustão interna. Até aos anos vinte, havia carros eléctricos à venda e, ao mesmo tempo, a indústria ferroviária adoptava as primeiras automotoras eléctricas. Como o transporte ferroviário, do qual um bom exemplo são os eléctricos da Carris, tem uma mobilidade limitada e depende da energia fornecida pelas catenárias, há uns noventa anos que se justifica a utilização dessa energia para o transporte de passageiros. É um sistema barato e eficaz!

O grande problema dos automóveis eléctricos sempre foi a capacidade das baterias que, ainda hoje, conferem autonomias inferiores a 200Km. Posso comparar com o meu segundo carro, um Citröen AX 14D, comprado por 450€ em 2003, que fazia 500Km com 30€ de gasóleo… Enquanto os derivados de petróleo foram baratos, os carros eléctricos não eram competitivos!

Hoje assistimos ao renascimento desta tecnologia, motivado pelo “bicho-papão” do CO2 e pelos preços incomportáveis do petróleo. Mas, há muitos anos que os carros eléctricos, mesmo sendo mais caros, têm um mercado! E, contra tudo o que o capitalismo representa, um cartel de construtoras e petrolíferas conseguiu impedir que os consumidores tivessem a propriedade do produto que queriam. Carros como o EV1 da General Motors, disponibilizados em regime de leasing, foram transformados em sucata porque o fabricante se recusou a vendê-los aos clientes…

Chega a altura de fazer uma declaração de intenções: não sou apologista do carro eléctrico como substituto dos actuais ligeiros de passageiros. Os motores eléctricos têm um lugar para o transporte a curta distância, como no caso das cidades, mas, actualmente, não resolvem mais nada! Sou defensor da conversão da frota a gasolina para gás natural e, com o aperfeiçoamento da tecnologia de baterias, da evolução para híbridos plug-in (gás natural e electricidade). Um carro como o Nissan Leaf, pela autonomia limitada, só pode substituir as “aceleras”, mas, nem isso: é demasiado caro! Outro aspecto a ter em conta é a progressiva autonomia das baterias: uma frota automóvel quase toda movida a electricidade precisa de centrais que abasteçam a rede… O futuro vai tornar imperativa a opção por centrais nucleares! Além disso, esta tecnologia precisa de baterias universais, adaptáveis a qualquer veículo, possíveis de trocar nas estações de serviço. É que as leis da física não permitem aumentar a velocidade de carregamento das baterias e ninguém vai aceitar perder seis horas “nas bombas”. Imaginem demorar 22 horas do Porto a Faro!

Como libertário, porém, considero inaceitável que, havendo um produto e consumidores dispostos a pagar por ele, o fabricante estrangule o mercado, como acontece no caso relatado pelo documentário que partilho…

Cumprimentos!

António Gaito

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